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MPRJ abre o II Simpósio Internacional Network Science
Publicado em 2018-11-07 17:12:48.852 - Atualizado em 2018-11-07 17:17:01.0

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do Instituto de Educação e Pesquisa (IEP/MPRJ), em parceria com o Centro de Referência em Inteligência Empresarial da Coppe/UFRJ (CRIE), promoveu nesta terça-feira (06/11) a abertura do II Simpósio Internacional Network Science, no auditório principal da instituição. A realização do encontro denota a importância dada pela instituição em discutir novas formas de utilização de dados que tragam maior transparência e efetividade à atuação da instituição, abrindo canais de discussão que tragam benefícios à sociedade.
 
Procurador-geral de Justiça interino, Ricardo Martins ressaltou a importância de sediar o evento, que discute o papel das redes sociais e se estende até esta quarta-feira (07/11). “É um prestígio poder sediar um evento desta qualidade, trazer a academia para o MPRJ. Nós pretendemos ser um pólo difusor do conhecimento e da ciência, e tudo que pudermos fazer em prol desta finalidade será realizado. O MPRJ estará sempre de portas abertas para receber eventos como esse, que aborda este tema tão fascinante”, afirmou o PGJ interino.
 
O Simpósio investiga as tendências e o impacto da Network Science (Ciência das Redes), Open Data (Dados Abertos) e Blockchain (Plataformas das Redes) estudando teorias e modelos nas mais diversas áreas do conhecimento e tendo como objetos de estudo as redes tecnológicas, redes de computadores, redes biológicas, redes cognitivas e semânticas e redes sociais. 

Fundador e coordenador do CRIE, o doutor em Informática Marcos Cavalcanti ressaltou a importância do diálogo com a sociedade promovido pelo Ministério Público estadual. “Temos uma parceria há dois anos com o MPRJ onde encontramos as portas abertas para discutir a importância dos dados para gerar informação e conhecimento. O MPRJ tem um sistema muito interessante chamado ‘MP em Mapas’ que tem o maior conjunto de dados integrado do Estado do Rio, congregando os bancos de dados públicos com os dados gerados pela própria instituição. É uma plataforma digital que dá uma riqueza enorme para pesquisadores e pessoas que já entenderam que vivemos em uma nova sociedade”, avaliou Marcos Cavalcanti.
 
A primeira palestra do dia foi realizada pelo português Joaquim Fialho, doutor em Sociologia pela Universidade de Évora e um dos mais conceituados analistas de redes sociais de Portugal, que ministrou o tema “Para onde nos leva a sociedade das redes?”. De acordo com ele, que coordena o Congresso Internacional de Redes Sociais, a dinâmica das redes sociais não é bem aquilo que parece. “Apesar do grande sucesso das redes sociais, nós nunca estivemos tão desligados como atualmente. Hoje, vivemos um constante sentimento de falta, apesar da interlocução proporcionada pelas redes. Há vários caminhos para se analisar as redes sociais. Mas nós precisamos saber qual é o caminho onde queremos chegar, pois estamos diante de novas lógicas de sociabilidade. É preocupante quando falamos em redes sociais e também falamos em solidão”, dissertou o sociólogo.
 
Joaquim aproveitou para traçar um perfil das comunidades virtuais. “O Facebook, por exemplo, não veio trazer o conceito de rede social. A rede social vem desde a origem do primeiro homem. A fase atual em que vivemos, por exemplo, é uma fase em que pensamos que estamos construindo uma identidade pessoal e profissional sólida. Mas eu acredito que, hoje, nós todos caminhamos para uma infantilização da nossa identidade. Eu utilizo as redes sociais e posso dizer que elas se tornaram um palco virtual onde temos uma infantilização do nosso comportamento”, alertou o teórico.
 
Responsável, no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pela área de planejamento da Coordenação Operacional dos Censos no Estado do Rio, a geógrafa Luciana Prazeres Scheufler ministrou a palestra “Censos: Rede de conhecimento. A experiência do IBGE na cooperação técnica sul-sul”, em que falou da experiência digital na realização de pesquisas populacionais e do intercâmbio de tecnologia de ponta com outros países. “A partir de 2007, passamos a utilizar a base digital para os nossos censos e foi um grande aprendizado utilizar essa tecnologia em uma pesquisa tão grande. 2010 foi um marco porque o trabalho foi totalmente digital em todas as suas etapas. A coleta e a disseminação de dados foram extremamente mais rápidas, houve melhor supervisão do trabalho de campo e tivemos dados de melhor qualidade”, analisou Luciana Prazeres Scheufler.
 
Ainda segundo ela, a técnica de digitalização do processo foi solicitada por outros países, interessados em adotar a prática. “Recebemos demandas de outros países sul-americanos e africanos para colher dados sobre a realização do Censo de maneira digital. Foi criado um centro de referência para atingir esse objetivo junto a Senegal e Cabo Verde, países em desenvolvimento, fragilizados politicamente e que precisavam estruturar suas estatísticas para poder planejar políticas publicas. Esse projeto tem ganhado visibilidade e é importante a realização de fóruns internacionais até para verificar futuros novos parceiros. Aprendemos a superar a barreira da língua, da cultura e a compartilhar conhecimentos, formando uma rede temática de cooperação”, listou.
 
Encerrando a parte da manhã, o economista Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco e ex-secretário nacional de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação, falou sobre o tema “Big Data e otimização da gestão dos sistemas de ensino”. “Vivemos, no Brasil, um eterno ‘vir a ser’ sem convergir para uma suposta potência em que poderíamos nos transformar. Precisamos produzir uma sociedade de massa com alta qualificação. De cada 100 meninos e meninas que entram no ensino fundamental em nosso país, apenas 65 concluem o ensino médio e somente sete vão para a universidade”, reforçou. 
 
Segundo o especialista, o país está perdendo uma grande oportunidade de conseguir desenvolvimento social e econômico por meio da educação dos seus jovens e crianças. “A fronteira do conhecimento está avançando e isso é muito preocupante. Nós temos níveis de desigualdade gigantescos, precisamos saldar uma divida gigante num mundo em que a fronteira avança em velocidade exponencial. Nossa sociedade não dá conta de enfrentar a desigualdade por meio dos seus sistemas de ensino. Podemos colocar nossa juventude em uma situação de limbo numa sociedade calcada no conhecimento”, afirmou.


Direitos digitais 
No turno da tarde, foi realizado o painel “Controle versus Liberdade na divulgação da informação”. O coordenador de Direito e Tecnologia Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS), Eduardo Magrani, abordou o tema direitos digitais. Para ele, é preciso ter mais transparência com relação a chamada caixa preta dos algoritmos. A criação de inteligência artificial e a possibilidade de treiná-la, por exemplo, para ser discriminatória, racista o faz questionar de quem vai ser a responsabilidade se o robô produzir um dano. Segundo o palestrante, é neste momento que percebe-se que a legislação fica atrasada. “Com o mundo da internet das coisas (web 3.0), a internet ficará atrasada demais, talvez não consiga acompanhar de maneira eficiente. Então temos que pensar em garantir valores constitucionais”, explicou.
 
Em seguida, Sérgio Lutav, doutor em cultura contemporânea e estudos de internet pela Universidade de Jyväskylä, na Finlândia, que participou do painel por videoconferência, enfatizou a questão da influência e da verdade nas mídias digitais. “Enquanto a imprensa foi regulamentada e culturalmente tem protocolos e etiquetas, a rede social não tem esse tipo de protocolo e tudo acaba sendo válido. E isso cria problemas como o discurso de ódio”, disse, acrescentando que na internet assistimos a vídeos relacionados aos nossos interesses. Sérgio Lutav destaca que é importante pensar na rede como um campo muito fértil e ainda muito desestruturado de motivações ideológicas.
 
Em sua palestra, o sociólogo e cientista político Paulo Baía destacou o papel das redes sociais na eleição de 2018. Baía comentou o texto desabafo que escreveu mostrando que ele, como cientista político, errou apesar das evidências e indícios nesta eleição. Ele ancorou suas análises em um tripé: estrutura partidária e fundo eleitoral, tempo de televisão, e redes na internet como equivalentes. Mas um novo mundo - Whatsapp e Telegram - foi desconsiderado. “Não se percebeu que existia um mundo digital de relações sociotécnicas consolidadas”, afirmou. O sociólogo encerrou enfatizando que essa nova visão é um desafio para o direito e também um desafio epistemológico e metodológico diante da realidade existente.
 
Encerradas as palestras, Marcos Cavalcanti abriu para perguntas dos participantes aos conferencistas. O final deste primeiro dia do evento foi dedicado à apresentação de trabalhos em forma de estudo de caso e artigo científico. As atividades estavam relacionadas a quatro temáticas: Big Data, Ciência das redes, E-science e Dados abertos, Blockchain e suas aplicações.  O II Simpósio Internacional Network Science continua nesta quarta a partir das 9h20 no auditório do MPRJ.

Confira a programação no link .

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