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Notícia

Criminal
MPRJ cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão contra policiais militares e demais integrantes de milícia que explora serviço de mototáxis na Zona Oeste
Publicado em 04/08/2020 16:07 - Atualizado em 04/08/2020 16:07

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/RJ), e com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), da Corregedoria-Geral da Polícia Militar (PMERJ) e de técnicos da ANATEL, deflagrou, nesta quinta-feira (30/07), a operação Gogue Magogue, para cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 23 de busca e apreensão, contra catorze policiais militares e oito civis integrantes de milícia que atua na predominantemente na comunidade Asa Branca, situada na grande Jacarepaguá, Zona Oeste da cidade, pela prática dos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, e concussão. Também foi cumprido mandado de busca e apreensão em um imóvel supostamente utilizado como central clandestina de TV a cabo, atividade explorada pelos criminosos, popularmente conhecida como "gatonet".

Segundo o MPRJ, o grupo é responsável pela prática de diversos crimes na comunidade Asa Branca, tais como a exploração e comercialização de sinais clandestinos de televisão a cabo e a venda de cigarros ilegais, mas atua principalmente na exploração ilícita de pontos de mototáxi. Segundo a investigação, os PMs recebem propinas para fornecerem informações privilegiadas sobre operações policiais na região, bem como para garantir a livre circulação dos mototaxistas do bando nas áreas de fiscalização do 18º BPM (Jacarepaguá) e 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes), fazendo vista grossa para as irregularidades de trânsito eventualmente praticadas pelos mototaxistas.

Quando abordados pela polícia, os mototaxistas fazem contato com membros da milícia e são liberados. Não raro, os próprios policiais militares presentes na operação assumem a ligação para confirmarem diretamente com o comparsa se o mototaxista detido é, de fato, parceiro do grupo criminoso. Traço da organização é o emprego de violência e ameaça contra aqueles que, de alguma forma, atrapalham seus interesses. Telefonemas interceptados revelam que os mototaxistas que deixavam de pagar as taxas impostas pelos milicianos eram sumariamente banidos da região, ameaçados, agredidos fisicamente, ou tinham suas motocicletas arbitrariamente "confiscadas".

A denúncia apresentada pelo MPRJ aponta ainda a existência de indícios da prática de invasão de propriedade, grilagem de terras, exploração sexual de menores e lesões corporais contra membros da própria organização criminosa que cometessem erros ou desobedecessem a ordens de superiores. O grupo, por diversas vezes, empregou armas de fogo em sua atuação, bem como contou com o concurso de funcionários públicos, mais especificamente policiais militares, que se aproveitaram desta condição para viabilizar as práticas criminosas do bando.

Balanço

Na operação desta quinta-feira foram presos, até o momento, cinco policiais militares: Jorge Henrique da Silva (vulgo 'Dô', 2º sargento, lotado no 22º BPM); Adelmo da Silva Guerini Fernandes (também 2º sargento, mas no 21º BPM); Nielsen da Silva Barbosa (3º sargento); Leonardo de Oliveira Pelussi (cabo); Marcos Paulo Custódio Alves (sargento) - estes três últimos do 18º BPM. Francisco Santos de Melo (subtenente, também no 18º BPM) segue foragido. Houve ainda a prisão em flagrantes de civis: Marilena Nascimento Faria (também denunciada como integrante da organização) e dois homens (estranhos à investigação), encontrados no endereço de outro denunciado, com drogas e dinheiro.

Outros oito policiais militares, à época lotados no 18º BPM, foram alvos de mandados de busca e apreensão, por terem sido flagrados em conversas suspeitas com integrantes da organização criminosa. Dessa forma, na operação desta quinta foram realizadas ações de busca e apreensão nos 5º, 14º, 18º, 21º e 22º Batalhões, além da 1ª UPP - Santa Marta.

Foram cumpridos ainda mandados de busca e apreensão contra oito civis denunciados por participação na organização: além da já citada Marilena Nascimento Faria, formam essa lista Moisés Ubiratan Lopes Peres; Luís César Lima Napoli (vulgo 'PC'); Antônio Marcos Santos Silva ('Marquinho', atualmente foragido da Justiça); Carlos Renato Nascimento Faria ('Renatinho'); Cristiano Pereira Gomes; Ygor Rodrigues Santos da Cruz e Kleber Farias de Oliveira Carneiro, responsáveis por atividades como 'gerenciamento' dos pontos de mototáxi, repasse de propinas aos policiais dos 18º e 31º Batalhões e emissão de 'alertas' sobre operações policiais na região, além de toda a manutenção técnica e cobrança pelos serviços clandestinos de tv a cabo, internet e comercialização de cigarros ilegais.

Os mandados da operação desta quinta-feira foram expedidos pela Auditoria de Justiça Militar do Estado do Rio de Janeiro, no caso dos policiais militares, e pela 1ª Vara Criminal Especializada da Comarca da Capital, no caso dos denunciados civis.

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