Notícia
Notícia
O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAESP/MPRJ) denunciou três policiais civis e um quarto homem acusados de integrar uma associação criminosa armada que usava a estrutura da Polícia Civil para exigir ou solicitar dinheiro de comerciantes dos ramos de sucata, ferro-velho, reciclagem e depósito de resíduos em São Gonçalo. A denúncia relata investidas contra duas empresas, com cobranças iniciais de R$ 300 mil e R$ 20 mil. Quatro mandados de prisão e seis de busca e apreensão foram cumpridos na manhã desta sexta-feira (04/09) pelo GAESP/MPRJ e pela Corregedoria da Polícia Civil.
De acordo com a denúncia do GAESP/MPRJ, os acusados atuavam uniformizados, armados e em viaturas oficiais. Sob o pretexto de realizar fiscalizações, apontavam supostas irregularidades administrativas ou ambientais. Para o GAESP/MPRJ, o uso da estrutura policial conferia aparência de legalidade às abordagens e criava um ambiente de intimidação para a cobrança de vantagens indevidas.
Em uma das investidas, realizada em 19 de agosto contra a SOF Comércio e Reciclagem de Sucatas, os três policiais teriam exigido inicialmente R$ 300 mil para que a empresa não fosse prejudicada. Diante da recusa, a cobrança foi reduzida para R$ 100 mil, divididos em três parcelas, além de um pagamento mensal de R$ 800. A investigação não identificou ordem de serviço, registro de ocorrência ou outra formalização da suposta fiscalização.
Naquele mesmo dia, a vítima transferiu R$ 25 mil para uma conta de um denunciado, que, segundo o GAESP/MPRJ, dava suporte financeiro ao grupo ao receber os valores cobrados dos comerciantes.
A segunda investida teve como alvo a Afermota Comércio e Distribuidora de Ferros. Segundo a denúncia, os denunciados abordaram um caminhão da empresa e seguiram até o depósito, onde teriam se apresentado como policiais da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e um dos denunciados solicitou R$ 20 mil aos responsáveis pelo estabelecimento e, após ouvir que eles não dispunham da quantia, reduziu o valor para R$ 15 mil. Nenhum pagamento foi realizado.
Batizada de Operação Anhangá, a ação faz referência à figura do folclore indígena brasileiro conhecida como protetora dos animais e das florestas contra caçadores predatórios. O nome faz alusão à atuação contra agentes que, segundo a denúncia, teriam se valido da função de proteção e fiscalização para obter vantagens indevidas.
Por MPRJ
VISUALIZAÇÕES AINDA NÃO CONTABILIZADAS
(Dados coletados diariamente)