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Estreia do MPRJ na Rio Innovation Week reúne mais de 7 mil participantes em experiências interativas e aproxima instituição da sociedade
Publicado em Fri Aug 07 20:20:06 GMT 2026 - Atualizado em Fri Aug 07 20:19:58 GMT 2026

"O nosso propósito é justamente este: aproximar o Ministério Público da sociedade." A afirmação do procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, durante a abertura da Rio Innovation Week 2026 sintetizou a participação inédita do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) como parceiro institucional do maior evento de inovação e tecnologia da América Latina. Ao longo dos quatro dias de programação, encerrados nesta sexta-feira (07/08), a instituição apresentou ao público como os investimentos em inovação vêm fortalecendo a atuação e qualificando a prestação de serviços à sociedade.

Foram registrados mais de 7 mil visitantes nas experiências interativas oferecidas pelo MPRJ. Cerca de 80 colaboradores, entre promotores e procuradores de Justiça, servidores, estagiários e voluntários, atuaram no espaço institucional, acessível ao público de cerca de 200 mil pessoas, segundo estimativas iniciais da produção. Nas redes sociais, os conteúdos produzidos durante a RIW ultrapassaram 150 mil visualizações, além de registrarem centenas de comentários e repercussões positivas em diferentes plataformas.

Para a coordenadora de Modernização Organizacional e do Comitê Executivo do MPRJ na Rio Innovation Week, Elisa Fraga, a participação da instituição superou as expectativas e permitiu ampliar o contato direto com diferentes públicos. "Foram quatro dias de integração com a sociedade. Tivemos a oportunidade de receber muitos jovens e percebemos uma procura muito grande por informações sobre o que o Ministério Público faz e sobre a tecnologia que utiliza em seu trabalho em prol da sociedade. Os resultados foram surpreendentes e a repercussão foi muito positiva", afirmou. Elisa também mencionou que a experiência permitiu apresentar a diversidade de áreas em que o Ministério Público atua. "Foi uma oportunidade de mostrar onde estamos presentes e reforçar uma mensagem importante: o Ministério Público está onde você está", acrescentou.

Antonio José Campos Moreira, que integrou a mesa de autoridades, ressaltou as parcerias e os investimentos realizados pelo MPRJ em inteligência artificial, ciência de dados e ferramentas voltadas à investigação. "Temos investido fortemente em tecnologia da informação e inteligência artificial para qualificar a atuação dos nossos promotores e procuradores. São ferramentas que ampliam a capacidade de análise, capazes de apoiar investigações patrimoniais, rastrear criptoativos utilizados em esquemas de lavagem de dinheiro e fortalecer o enfrentamento às organizações criminosas", explicou. Na abertura, o procurador-geral de Justiça recebeu no estande do MPRJ o governador em exercício do Estado do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, e o presidente do Comitê Executivo da Rio Innovation Week, Fábio Queiroz, além de outras autoridades.

A participação do MP teve reflexos também nas redes sociais, que geram visibilidade ao trabalho dos membros e oferecem os canais de acesso do cidadão ao MP. Com cobertura em tempo real das atividades, palestras, convidados e experiências oferecidas no estande, os conteúdos ultrapassaram 150 mil visualizações e geraram centenas de comentários. Entre as repercussões espontâneas, visitantes e criadores de conteúdo destacaram também a ecobag distribuída após a participação no jogo sobre as atribuições do Ministério Público, apontada nas redes como um dos brindes de destaque da feira.

Mais de 7 mil participantes nas experiências interativas

O jogo que apresenta as atribuições constitucionais do Ministério Público foi uma das atrações mais procuradas do estande, reunindo cerca de 6,2 mil participantes ao longo dos quatro dias. A experiência foi desenvolvida por Arthur Almeida Santos, estagiário do Programa MP Inclusivo.

A experiência em realidade virtual que simula parte da atuação da perícia técnica do MPRJ também atraiu grande público. Cerca de 1,2 mil visitantes utilizaram os óculos para vivenciar uma reconstrução imersiva de cena de crime e conhecer como recursos tecnológicos podem auxiliar na identificação, análise e utilização de evidências em investigações.

Os visitantes também puderam conhecer ferramentas como SIF, Panda, MAC, Valida AI, Órion, Prisma, Chainalysis e Visão MPRJ, utilizadas em diferentes áreas para apoiar investigações, análise de dados e inteligência institucional. O espaço apresentou ainda os serviços da Ouvidoria, do Núcleo de Atendimento às Vítimas (NAV) e o Memorial Vidas Marcadas.

Debates sobre direitos e transformação digital

A participação do MPRJ na Rio Innovation Week também incluiu uma vasta programação de palestras que reuniu membros da instituição e especialistas de diferentes áreas para discutir os impactos da transformação tecnológica sobre o sistema de Justiça e a proteção de direitos.

Na terça-feira (04/08), a subprocuradora-geral de Justiça de Recursos Constitucionais, Inês Andreiuolo, e o promotor de Justiça Luiz Cláudio Carvalho de Almeida participaram do painel "Longevidade Digital: Como incluir e proteger a geração que não nasceu conectada". O debate abordou a vulnerabilidade da pessoa idosa diante de crimes cibernéticos e as dificuldades de acesso a sistemas e serviços digitais. Luiz Cláudio ressaltou que muitas dessas barreiras não decorrem da idade do usuário, mas da complexidade das próprias ferramentas e da falta de suporte adequado, especialmente em situações de abandono social ou familiar.

Na quarta-feira (05/08), o coordenador do GAESF/MPRJ, Décio Alonso, participou do painel "Inovação e Tecnologia para a Integridade Tributária", ao lado de representantes da Secretaria de Estado de Fazenda e da Procuradoria-Geral do Estado. O ex-procurador-geral de Justiça Eduardo Gussem mediou o painel. O promotor defendeu mecanismos de governança que garantam transparência, rastreabilidade e possibilidade de auditoria nas decisões apoiadas por inteligência artificial. "São ferramentas para auxiliar, desde que supervisionadas por humanos", destacou Décio Alonso. Para o promotor, a integração entre as instituições também é fundamental para que a arrecadação seja compreendida pela sociedade e resulte na entrega efetiva de serviços públicos. "A nossa função é prover isso: garantir a rastreabilidade da arrecadação e a entrega de um resultado útil para a sociedade", concluiu.

No mesmo dia, a subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento Institucional, Andréa Amin, e a promotora de Justiça Roberta Rosa Ribeiro participaram do painel "Escuta Protegida e Atuação em Rede: Os Bastidores da Defesa de Crianças e Adolescentes". O debate abordou a violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive no ambiente familiar, e os desafios para garantir que as vítimas sejam acolhidas sem revitimização. A subprocuradora mediou a mesa e apresentou dados relacionados a crimes sexuais. Roberta destacou que, em muitos casos, a denúncia pode provocar rupturas familiares e até a culpabilização da própria vítima, o que reforça a necessidade de atuação articulada da rede de proteção.

Na quinta-feira (06/08), o coordenador de Inteligência da Investigação, promotor de Justiça Francisco de Assis Machado Cardoso, mediou o painel "O Sistema de Justiça Está Pronto para a Inteligência Artificial?", que contou também com a participação do promotor de Justiça Leonardo Cuña de Souza, da Coordenadoria de Inovação do MPRJ. A discussão abordou os impactos da inteligência artificial sobre o sistema de Justiça e as experiências dos Ministérios Públicos na utilização da tecnologia para aprimorar a atividade institucional. Entre as possibilidades apresentadas, estiveram ferramentas capazes de auxiliar na transcrição e no resumo de audiências e na organização de grandes volumes de informação, contribuindo para reduzir tarefas mecânicas e agilizar a atuação dos integrantes do sistema de Justiça. Ao longo do debate, os participantes também destacaram os cuidados necessários para que a adoção da IA ocorra de forma segura e responsável.

Leonardo Cuña ressaltou a importância de que os resultados produzidos pelas ferramentas sejam revisados pelos integrantes do Ministério Público, além da necessidade de letramento para que os usuários desenvolvam um olhar crítico sobre as respostas geradas pela tecnologia e reconheçam riscos. Francisco de Assis chamou a atenção, ainda, para a necessidade de compatibilizar o uso da tecnologia com a proteção de informações sigilosas, de modo a aproveitar o potencial da IA para simplificar rotinas sem comprometer a segurança dos dados. Para o promotor, o desafio é encontrar o equilíbrio que permita à tecnologia reduzir a burocracia e, ao mesmo tempo, tornar mais efetiva a atuação do Ministério Público.

Também na quinta-feira, a coordenadora do Centro de Apoio às Promotorias de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Isabela Jourdan, participou do painel "É Possível Quebrar o Ciclo? Os Grupos Reflexivos e a Prevenção da Violência Contra a Mulher". A promotora defendeu que o enfrentamento à violência de gênero deve incluir não apenas a proteção das mulheres, mas também estratégias de educação, responsabilização e ressocialização dos homens autores de violência. "Estamos hoje no Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio, cujo tema é 'Todos por Todas', que dialoga muito com o tema-base da RIW. Nenhuma instituição vai vencer a violência sozinha. A gente precisa dessa união de todos por todas, de homens e mulheres juntos", destacou Isabela. Durante a palestra, alguns pontos foram destacados, como o paradoxo entre a quantidade de mulheres agredidas e a quantidade de homens que se reconhecem como agressores. Esse fator decorre da reprodução do ciclo da violência, que também contribui para a dificuldade de diálogo e impede alguns homens de falar sobre saúde mental ou expor suas vulnerabilidades.

No painel "Educar para Transformar: Histórias Reais e o Papel da Escola no Combate ao Racismo", a coordenadora do Centro de Apoio às Promotorias de Educação, a procuradora de Justiça Bianca Mota de Moraes, e a promotora de Justiça Roberta Rosa Ribeiro discutiram o papel da educação tanto na reprodução quanto no enfrentamento ao racismo. Roberta destacou a necessidade de não naturalizar práticas discriminatórias no ambiente escolar e de reconhecer seus impactos sobre crianças e adolescentes negros. Bianca ressaltou a importância de políticas de acolhimento, diversidade e inclusão para que a educação funcione efetivamente como instrumento de transformação social.

Encerrando a programação de quinta-feira, a coordenadora e sub do CAO Cível e Pessoa com Deficiência, promotoras de Justiça Cristiane Branquinho Lucas e Viviane Alves Santos Silva, participaram do painel "Incluir é Inovar: Acessibilidade, Diversidade e o Futuro das Cidades". A discussão abordou acessibilidade urbana, comunicacional e atitudinal e diferentes formas de capacitismo. Cristiane apresentou a atuação do MPRJ na construção conjunta de soluções com gestores públicos e destacou iniciativas institucionais voltadas à promoção de uma cultura de inclusão, reforçada pela campanha "MP Inclusivo" nas redes sociais, além de citar os canais da Ouvidoria disponíveis para o recebimento de denúncias.

Nesta sexta-feira (07/08), a coordenadora do GAECO/MPRJ, Letícia Emile, e a coordenadora de Modernização Organizacional, Elisa Fraga, encerraram a participação institucional no evento com o painel "Liderança Feminina no Serviço Público", dedicado aos desafios e às perspectivas da presença feminina em posições estratégicas da administração pública. Elisa falou sobre as trajetórias de excelência das três participantes no serviço público e observou que, apesar dos avanços, suas falas deixaram claro que "pelo fato de serem mulheres, elas têm que se esforçar mais, se reafirmar mais, vencer o preconceito, o machismo estrutural, para alcançar o topo da carreira ou posições de comando".

Com 18 anos de atuação no Ministério Público, Letícia Emile destacou a importância de ampliar os espaços de fala e liderança ocupados por mulheres como forma de romper estereótipos e transformar as culturas institucionais. Ao compartilhar sua trajetória, relatou os desafios enfrentados em posições de liderança e observou que, por atuar na área criminal, um ambiente predominantemente masculino, muitas vezes precisou adotar uma postura mais firme para demonstrar o que os resultados do seu trabalho já demonstrariam: que possui a mesma capacidade ou até mais condições para exercer funções de alta responsabilidade.

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