/conheca-o-mprj/memorial-vidas-marcadas/eixo-3/sidyneia-da-silva-toledo

Sidynéia da Silva Toledo

Atualmente com 25 anos
Belford Roxo

Sidynéia da Silva Toledo nasceu em Belford Roxo, em 8 de fevereiro de 2000. Filha caçula de Cláudia Fernanda e Cid, cresceu em uma família humilde ao lado de três irmãos mais velhos. Desde pequena, acompanhava a mãe no trabalho como cuidadora, convivendo com situações de desrespeito e desigualdade que marcaram sua percepção sobre as relações de trabalho e sobre as dificuldades enfrentadas por mulheres negras em funções historicamente invisibilizadas.

Apaixonada por música clássica, gastronomia e praia, Sidynéia gosta de conhecer novos lugares, experimentar novas comidas e estar ao lado das amigas. Após concluir o ensino médio, iniciou o curso técnico de enfermagem em 2020, passando a atuar como cuidadora e, posteriormente, como técnica de enfermagem. Em 2023, ingressou na faculdade de enfermagem, mantendo uma rotina intensa de estudos e plantões. Hoje, atua como plantonista e segue construindo sua trajetória profissional na área da saúde, com o sonho de concluir a graduação e iniciar uma pós-graduação.

Memorial dedicado à vítima: Sidyneia - Crime

O crime

No dia 10 de março de 2025, enquanto trabalhava como plantonista em uma residência no bairro de Laranjeiras, Sidynéia foi vítima de um ato de racismo explícito e cruel. Durante o plantão, a filha da paciente entregou à vítima uma folha de revista contendo a imagem de três macacos acompanhada da frase ¿Macacos trabalham em equipe¿, exigindo que ela lesse o conteúdo em sua frente.

Em choque, Sidynéia se dirigiu ao banheiro e ligou para sua mãe. Mesmo profundamente abalada, permaneceu no trabalho até o fim do plantão. No dia seguinte, comunicou o ocorrido à empresa responsável, que lhe ofereceu apoio e providenciou sua retirada definitiva daquela residência.

Memorial dedicado à vítima: Sidyneia - As consequências do crime - o que fica

As consequências do crime - o que fica

O episódio deixou marcas profundas na vida de Sidynéia. Após a violência sofrida, passou a conviver com insegurança constante em ambientes profissionais, especialmente por frequentemente ser a única mulher negra de sua equipe. O racismo fez surgir questionamentos sobre pertencimento, capacidade e aceitação nos espaços que ocupa diariamente.

Acostumada desde a infância a presenciar a mãe suportando humilhações para preservar o emprego, Sidynéia relata que demorou a compreender plenamente a gravidade do que havia acontecido. Seu primeiro impulso foi silenciar, exatamente como viu tantas vezes ocorrer dentro de sua própria realidade familiar. Com o passar do tempo, vieram a tristeza, a sensação de culpa e os constantes questionamentos sobre si mesma.

Embora siga trabalhando e estudando, o crime afetou diretamente sua autoestima e sua sensação de pertencimento. Atualmente, busca acompanhamento psicológico e tenta reconstruir, diariamente, a confiança em si mesma e no próprio valor. Sua história evidencia como o racismo produz feridas que ultrapassam o momento da violência, atingindo sonhos, identidades e trajetórias inteiras.