Notícia
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O Grupo de Atuação Especializada do Tribunal do Júri do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAEJURI/MPRJ), em conjunto com a 1ª Promotoria de Justiça junto ao III Tribunal do Júri da Capital, garantiu a condenação de Cíntia Mariano Dias Cabral a 49 anos, 6 meses e 20 dias de reclusão por envenenar a enteada Fernanda Carvalho Cabral, de 22 anos, e tentar matar o enteado Bruno Carvalho Cabral, então com 16 anos, utilizando “chumbinho”. O julgamento foi encerrado na madrugada desta quinta-feira (05/03).
O Conselho de Sentença acolheu integralmente as teses sustentadas pelo GAEJURI/MPRJ. Pela morte de Fernanda, a pena foi fixada em 30 anos de reclusão. Já pela tentativa de homicídio contra Bruno, a pena foi estabelecida em 19 anos, 6 meses e 20 dias. Os jurados reconheceram as qualificadoras apontadas pelo MPRJ de emprego de veneno e motivo fútil, este último relacionado ao ciúme que a ré nutria da relação do companheiro, Adeilson Jarbas Cabral, com os filhos.
Durante o julgamento, iniciado na tarde de quarta-feira (04/03), a defesa sustentou que as provas periciais seriam insuficientes para comprovar que a acusada havia administrado o veneno, chegando a questionar a validade da exumação do corpo de Fernanda e a consistência dos laudos técnicos.
Em plenário, no entanto, o GAEJURI/MPRJ apresentou provas técnicas que demonstraram que as duas vítimas possuíam sintomas compatíveis com intoxicação exógena por carbamato, substância presente no veneno popularmente conhecido como “chumbinho”. Os laudos trazidos pelo grupo indicaram que a morte de Fernanda e as lesões sofridas por Bruno decorreram da ingestão da substância tóxica.
O Ministério Público também destacou os depoimentos dos filhos biológicos da ré, Lucas e Carla Mariano Rodrigues. Em juízo, ambos relataram que, após receber alta hospitalar em razão de uma suposta tentativa de suicídio, Cíntia lhes confessou informalmente ter envenenado os dois enteados.
Os crimes
O primeiro caso ocorreu em 15 de março de 2022, quando Fernanda passou mal logo após ingerir um alimento na casa de Cíntia. A jovem apresentou sintomas típicos de intoxicação, como tontura e visão turva, e permaneceu internada por 13 dias, vindo a falecer em 27 de março. Inicialmente tratada como morte por causas naturais, a hipótese de envenenamento passou a ser investigada cerca de dois meses depois.
Em 15 de maio de 2022, Bruno, então com 16 anos, também apresentou sintomas graves após consumir uma refeição preparada por Cíntia. O adolescente relatou ter sentido gosto amargo no feijão e percebido a presença de “bolinhas azuis” na comida. Diferentemente da irmã, ele recebeu atendimento médico imediato e sobreviveu após passar por lavagem estomacal, procedimento que confirmou a presença do veneno.
Por MPRJ
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