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Um estudo inédito solicitado pelo Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAEMA/MPRJ) analisou a evolução das ilhas de calor na cidade do Rio ao longo dos últimos 25 anos (2001-2025). A pesquisa, desenvolvida em cooperação técnica com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), servirá de subsídio ao inquérito civil que acompanha medidas compensatórias ambientais na capital e fornecerá subsídios técnicos para a atuação do Ministério Público na promoção de políticas públicas voltadas à mitigação e à adaptação às mudanças climáticas.
Realizado pelo Laboratório Integrado de Geografia Física Aplicada (LIGA-UFRRJ), em conjunto com o Departamento de Geografia e o Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade, o estudo "Os espaços de calor na cidade do Rio de Janeiro no século XXI (2001-2025): panorama, mitigação e resiliência" apresenta um mapeamento inédito da temperatura da superfície terrestre, da cobertura vegetal e das áreas construídas do município do Rio de Janeiro entre 2001 e 2025. Os dados foram sistematizados por bairros, regiões administrativas, áreas de planejamento e comunidades, permitindo identificar os locais mais suscetíveis à formação de ilhas de calor urbanas, fenômeno característico de áreas com elevada impermeabilização do solo, pouca cobertura vegetal e intensa ocupação urbana.
A análise revela um aumento expressivo da temperatura da superfície terrestre em todas as Áreas de Planejamento (APs) da cidade ao longo dos últimos 25 anos, ampliando os espaços da ilha de calor urbana. A AP-3, que abrange grande parte da Zona Norte, apresentou os maiores índices de temperatura da superfície terrestre, alcançando valores médios de 42,32°C, em 2025, destacando a região como a mais quente da cidade no século. Segundo os pesquisadores, esse cenário está associado à elevada urbanização, à escassez de áreas verdes e à predominância de superfícies impermeáveis, que favorecem a formação de ilhas de calor. A região também reúne os menores índices de cobertura vegetal e os maiores percentuais de área construída do município. Durante o verão, bairros como Vila da Penha, Higienópolis, Jacaré e Del Castilho registraram temperaturas da superfície terrestre próximas de 47°C, enquanto, em algumas comunidades também da Zona Norte, os valores alcançaram a casa dos 50°C. Em contrapartida, a AP-2, que engloba bairros da Zona Sul, manteve-se como a área mais amena do município, com valores na casa dos 25°C em muitos anos analisados, favorecida pela maior cobertura vegetal, pela influência do Maciço da Tijuca, entre outras amenidades naturais, como parques e espaços com ampla vegetação.
O estudo também chama atenção para as Áreas de Planejamento 4 e 5, que abrangem as Zonas Oeste e Sudoeste da cidade e concentram importantes frentes de expansão urbana. Segundo os pesquisadores, essas regiões merecem acompanhamento permanente diante do avanço de empreendimentos industriais, logísticos e imobiliários, que podem intensificar a formação de ilhas de calor, caso a expansão não seja acompanhada de medidas adequadas de planejamento ambiental.
O diagnóstico permitirá ao GAEMA/MPRJ direcionar sua atuação para as áreas mais vulneráveis ao aquecimento urbano e subsidiar a avaliação de medidas compensatórias ambientais e de políticas públicas voltadas à adaptação às mudanças climáticas. O levantamento também servirá de base para a adoção e a fiscalização de medidas baseadas na natureza, como a ampliação da arborização urbana, a preservação das unidades de conservação e outras ações voltadas à redução dos impactos das mudanças climáticas, especialmente nas áreas mais vulneráveis da cidade.
Por MPRJ
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