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GAESF/MPRJ obtém na Justiça bloqueio de mais de R$ 250 milhões de grupo denunciado por lavagem de dinheiro, fornecimento de fuzis a Peixão e acesso a sistemas sigilosos de segurança
Publicado em Wed Oct 07 07:55:54 GMT 2026 - Atualizado em Wed Oct 07 07:54:38 GMT 2026

O Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAESF/MPRJ) denunciou dez pessoas acusadas de integrar um esquema de comércio ilegal de armas, uso de informações sigilosas das forças de segurança e lavagem de dinheiro. A investigação financeira feita pelo grupo especializado do Ministério Público identificou mais de R$ 250 milhões em movimentações de pessoas físicas e cinco empresas vinculadas ao grupo e resultou no bloqueio de bens e valores. Entre os denunciados estão policiais e ex-policiais acusados de fornecer fuzis e informações privilegiadas a Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como líder do Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo de Israel.

Nesta quarta-feira (07/10), o MPRJ e a Polícia Federal, com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), realizam a Operação Magen para cumprir sete mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e do Amazonas. A pedido do MPRJ, as ordens foram expedidas pela 1ª Vara de Organização Criminosa da Capital. O MPRJ também requereu o sequestro de três imóveis e 31 veículos.

Fornecimento de armas

A investigação teve início na Polícia Federal, a partir da apuração do poderio bélico de traficantes que atuam no Complexo de Israel, e, com o avanço das diligências, identificou outras frentes de atuação da organização.

De acordo com a denúncia, Vitor Hugo Marinho Garcia, o Batata, ex-policial militar apontado como líder da organização criminosa, era um dos principais fornecedores de armas e informações privilegiadas a Peixão, também denunciado. Em uma das transações identificadas, em outubro de 2022, o ex-PM teria transportado e vendido ao chefe do TCP dez fuzis AR-15.

A denúncia descreve outras negociações de armamentos. José Carlos Ribeiro de Campos, o Ferrugem, ex-policial militar, é acusado de fornecer dois fuzis Colt M4 e quatro carregadores para revenda por integrantes do grupo. Já Johan Borja Portela, policial militar, teria colocado à venda um revólver calibre .38, nove pistolas Glock 9 mm e 22 carregadores.

Investigação financeira

As análises bancárias e fiscais identificaram movimentações e patrimônio considerados incompatíveis com os rendimentos declarados por integrantes do grupo. A apuração descreve o uso de empresas, contas bancárias e bens registrados em nome de terceiros para dissimular a origem de recursos e ocultar patrimônio. As cinco empresas relacionadas no pedido de bloqueio movimentaram, juntas, aproximadamente R$ 173,7 milhões. Os valores correspondem à soma de créditos e débitos identificados pela investigação. São empresas dos ramos de alimentação, comércio de materiais e construção e reforma, usadas no esquema de lavagem de dinheiro.

Segundo a denúncia do GAESF/MPRJ, Vitor Hugo Marinho Garcia movimentou cerca de R$ 31,9 milhões entre 2019 e 2023 e possuía patrimônio estimado em mais de R$ 5 milhões. Já o denunciado Marcel Rodrigues Fernandes, que atuou como assessor parlamentar na Alerj até outubro de 2025, movimentou aproximadamente R$ 33,2 milhões no mesmo período, sem fonte de renda compatível. Embora não declarasse à Receita Federal bens móveis ou imóveis em seu nome, possuía patrimônio estimado em quase R$ 3 milhões. Eduardo Thales Lopes Pires, também ex-policial militar e ex-ocupante de cargo comissionado na Alerj, movimentou aproximadamente R$ 33,4 milhões entre 2019 e 2023.

Em uma das conversas descritas na denúncia, Vitor teria explicado a Marcel que poderia utilizar sua empresa de crédito para movimentar dinheiro em espécie de terceiros e reinserir os valores na economia formal com aparência de licitude. A ação penal encaminhada à Justiça atribui a Vitor e à sua companheira, Amanda de Souza Braga, a utilização da empresa VHMG Assessoria Construção & Reforma Ltda. para lavagem de capitais e ocultação patrimonial. Eduardo e sua companheira, Caroline Souza Vilela Barcelos, são acusados de utilizar a Forte Outlet Ltda., também denominada Forte Porcelanato BR Ltda., para movimentar e dissimular recursos. Já Marcel e Danielle Rodrigues Gomes teriam utilizado, entre outras empresas, a Brutus Beer Ltda., em Angra dos Reis, para misturar recursos de origem lícita e ilícita. A Mega Frade Sucos e Lanches Ltda. e a Brutus Salgados Ltda., vinculadas a Marcel, também são descritas como instrumentos do esquema.

Amanda, Caroline e Danielle foram denunciadas por lavagem de dinheiro e não são alvo de mandados de prisão. As três são alvo de medidas cautelares diversas da prisão. Segundo o GAESF/MPRJ, as condutas atribuídas a elas estão relacionadas ao uso de pessoas jurídicas e contas bancárias para dissimulação patrimonial.

Uso de sistemas restritos das forças de segurança

Segundo a denúncia, a investigação também identificou o uso de uma rede de policiais e ex-policiais para obter informações sigilosas de sistemas das forças de segurança, identificar e localizar pessoas e obter vantagens financeiras.
O policial civil Carlos Barnabé Santos Souza, o Alemão, é acusado de consultar o Portal de Segurança do Estado e repassar a Eduardo e Vitor dados sobre proprietários de veículos e endereços. Em outro episódio, teria informado a Eduardo a localização de um procurado da Justiça e a existência de um mandado de prisão, para que ele chegasse ao alvo antes da polícia. Para o GAESF/MPRJ, o objetivo seria obter dinheiro por meio de extorsão.

A investigação também aponta o acesso a dados de geolocalização de celulares e a registros de circulação de veículos em benefício do grupo. Uma das consultas teria como finalidade auxiliar um homem investigado por homicídio, mediante pagamento.

O MPRJ requereu ainda a retenção dos passaportes dos alvos de prisão preventiva e a comunicação à Polícia Federal para inclusão dos mandados no sistema da Interpol, diante do risco de evasão do país.

Por MPRJ

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