Notícia
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O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) encerrou o ano de 2025 com números expressivos no enfrentamento financeiro às organizações criminosas que atuam no estado. Como resultado da atuação do Grupo ao longo do ano, foi requerido ao Judiciário o bloqueio de R$ 906.265.077,21 em recursos vinculados a indivíduos e organizações criminosas.
O foco de atuação junto ao poderio financeiro das organizações criminosas reflete a política institucional implementada pelo GAECO/MPRJ, em consonância com a diretriz do procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, de atacar de forma estruturada a base financeira e operacional do crime organizado, tanto no âmbito estadual quanto em sua atuação interestadual.
Para isso, o Grupo qualificou seus métodos de investigação, ampliou o intercâmbio de informações relacionadas a crimes financeiros de alcance nacional e transnacional e firmou parcerias estratégicas que permitiram expandir o alcance de suas ações. Um exemplo é o Acordo de Cooperação Técnica firmado pelo MPRJ com a Polícia Civil, em março, com o objetivo de ampliar a aplicação do confisco alargado de bens nas investigações patrimoniais, instrumento essencial para rastrear, bloquear e recuperar patrimônios ilícitos.
Segundo a coordenadora do GAECO/MPRJ, promotora de Justiça Letícia Emile Alqueres Petriz, o impacto dessas ações vai além dos números. “A asfixia financeira das organizações criminosas atinge o núcleo de sua sustentação, enfraquecendo sua capacidade de operação e expansão. A atuação do GAECO é estrategicamente orientada para minar o poder econômico desses grupos, especialmente por meio da investigação patrimonial e da aplicação do confisco alargado, que permite retirar da criminalidade os recursos obtidos de forma ilícita e impedir sua reinserção no circuito econômico”, destaca.
Repressão a organizações criminosas
Em 2025, o GAECO/MPRJ ajuizou 70 denúncias contra 767 pessoas, entre elas 120 agentes públicos, e obteve ordens judiciais que subsidiaram 39 operações voltadas ao cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão.
Entre as principais ações realizadas ao longo do ano, o GAECO/MPRJ cumpriu mandados de busca e apreensão contra investigados pelo envolvimento no homicídio do advogado Rodrigo Crespo; atuou no cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes de uma organização criminosa que furtava petróleo bruto da Transpetro, com atuação nos estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais; e participou de ações conjuntas com Ministérios Públicos de outros estados, como a Operação Carbono Oculto, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra um esquema bilionário de adulteração e distribuição irregular de combustíveis.
Destacam-se também as denúncias ajuizadas contra nove integrantes do chamado novo “Escritório do Crime”, incluindo três policiais militares; contra membros da nova cúpula do jogo do bicho, entre eles Rogério de Andrade, Flávio da Silva Santos, conhecido como “Pepé” ou “Flávio da Mocidade”, e Vinicius Drumond; além de 67 integrantes da facção criminosa Comando Vermelho.
Também foram denunciados servidores públicos por crimes como peculato, corrupção, fraudes a licitação, lavagem de capitais e envolvimento com atividades relacionadas à milícia. Destacam-se, nesse contexto, as denúncias contra 22 agentes do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (DEGASE), acusados de incitar internos do CENSE Ilha do Governador à depredação da unidade; contra servidores e engenheiros do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), envolvidos em esquema de corrupção para a emissão irregular de licenças ambientais; além de três bombeiros militares de Cabo Frio e de dois ex-secretários municipais de Silva Jardim, por crimes relacionados à emissão irregular de licenças e a fraudes em licitação.
Ao longo do ano, o GAECO/MPRJ também obteve decisões judiciais favoráveis em medidas cautelares, tanto em primeiro quanto em segundo grau. Entre elas, destacam-se a manutenção do contraventor Rogério de Andrade no presídio federal de segurança máxima de Campo Grande (MS); a permanência do miliciano Luís Antônio da Silva Braga, conhecido como Zinho, no presídio federal de segurança máxima em Brasília (DF); e a confirmação, em segunda instância, da sentença de pronúncia que levou o bicheiro Bernardo Bello e seu comparsa, Wagner Dantas Alegre, a julgamento pelo Tribunal do Júri pelo homicídio do contraventor Alcebíades Paes Garcia, conhecido como Bid.
Qualificação e investigações no ambiente virtual
Como parte do processo contínuo de qualificação das investigações, o GAECO/MPRJ passou a contar, a partir de setembro de 2025, com o Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos (CyberGAECO), criado pelo procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, com a finalidade de ampliar a atuação do Grupo no enfrentamento ao crime organizado com projeção no ambiente digital.
De acordo com a coordenadora do GAECO/MPRJ, a iniciativa reflete a adaptação necessária ao avanço das práticas criminosas. “A criação do CyberGAECO representa um passo estratégico para a modernização das investigações, diante da crescente atuação das organizações criminosas no ambiente digital. A experiência de outros Ministérios Públicos com estruturas semelhantes demonstra que a especialização é fundamental para ampliar a efetividade das apurações, especialmente em crimes que envolvem tecnologia, criptomoedas e lavagem de dinheiro”, ressalta a promotora.
Voltado à especialização de investigações relacionadas a crimes praticados no meio virtual e à movimentação de recursos provenientes de atividades ilícitas — que atingem milhares de vítimas por meio de golpes e fraudes —, o CyberGAECO atua na identificação, prevenção e repressão de infrações penais cometidas por organizações criminosas que utilizam o ambiente digital, criptomoedas e a dark web para a prática de crimes e a expansão de suas atividades.
Ainda como parte do esforço de aprimoramento institucional, o GAECO/MPRJ promoveu, ao longo do ano, cursos e seminários voltados à qualificação dos membros do Ministério Público. Entre eles, destaca-se o treinamento “Persecução Patrimonial e Recuperação de Ativos: desafios e estratégias no combate ao crime organizado”, que reuniu debates sobre iniciativas e boas práticas, com ênfase na investigação patrimonial.
Por MPRJ
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