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PGJ e autoridades detalham operação contra fabricação e venda de armas em impressoras 3D
Publicado em Thu Mar 12 18:46:16 GMT 2026 - Atualizado em Thu Mar 12 18:50:44 GMT 2026

Representantes do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Polícia Civil concederam entrevista coletiva nesta quinta-feira (12/03) para detalhar os resultados da Operação Shadowgun, que denunciou e prendeu integrantes de uma organização criminosa dedicada ao desenvolvimento, produção e comercialização de peças e acessórios de armas de fogo fabricadas com impressoras 3D. As autoridades enalteceram o trabalho integrado entre diferentes instituições e explicaram o funcionamento do esquema, destacando os desafios que a disseminação de tecnologias de fabricação de armas representa para a segurança pública.

Participaram da coletiva o procurador-geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira; o diretor de Operações Integradas e Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Anchieta Nery; a coordenadora do CyberGAECO/MPRJ, Letícia Emile; o secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi; e o delegado da 32ª DP (Taquara), Marcos Buss.

Três pessoas foram presas na operação: os denunciados Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz, conhecido como Zé Carioca, Jean Guilherme Pinto e Gianluca Bianchi, em endereços identificados em São Paulo. Outras duas pessoas foram presas em flagrante com material ilegal. Dois dos denunciados encontram-se foragidos: Luigi Barbin da Costa e Vinicius Soriano Hernandes. Foram cumpridos 36 mandados de busca e apreensão em 11 estados. Sete deles, no Rio de Janeiro: Capital, Região dos Lagos e Norte Fluminense. Foram apreendidos equipamentos utilizados na fabricação das peças, como impressoras 3D, armas produzidas de forma artesanal, munições e acessórios, em endereços comerciais que funcionavam para a produção ilegal de armamentos e peças.

CyberGAECO/MPRJ e integração institucional

O procurador-geral de Justiça ressaltou que a investigação teve início a partir de informações compartilhadas por órgão de inteligência internacional e pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, destacando a importância da cooperação entre instituições para enfrentar crimes praticados no ambiente digital. Antonio José também mencionou a recente criação do CyberGAECO/MPRJ, estrutura especializada dentro do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado voltada para investigações envolvendo crimes cibernéticos.

“Sob o pretexto de defender a liberdade individual, essa organização estimula pessoas, sobretudo jovens, a fabricar e portar armas de fogo, subtraindo do Estado e dos órgãos responsáveis pela fiscalização qualquer possibilidade de controle. Essas armas podem ser utilizadas tanto por organizações criminosas tradicionais quanto por cidadãos comuns. Essa facilidade de produção e circulação, por meio de um simples projeto digital e de uma impressora 3D, é algo extremamente preocupante”, alertou o PGJ.

“Também é importante ressaltar a atuação integrada entre as instituições e as polícias civis de diversos estados da federação, bem como a atuação conjunta entre os GAECOs de vários estados, algo que buscamos implementar cada vez mais. O crime hoje não é mais local: ele é interestadual e, muitas vezes, transnacional. Por isso, é fundamental que haja integração e uma autoridade central, que deve ser a União, responsável por reunir e disseminar informações, monitorar essas atividades e alimentar as investigações com novos dados e elementos de informação. Sem essa coordenação, a atuação do Estado não será efetiva e plena”, completou Antonio José.

Produção de armas a partir de projetos digitais

Durante os esclarecimentos aos jornalistas, foi explicado que as chamadas armas fantasma, produzidas com peças impressas em 3D, apresentam grande dificuldade de rastreamento e podem ser fabricadas com baixo custo. De acordo com os investigadores, o projeto desenvolvido pelo grupo criminoso era disseminado na internet com instruções detalhadas e suporte técnico para montagem dos armamentos.

O principal investigado no caso, o engenheiro Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz, foi denunciado pelo CyberGAECO/MPRJ e apontado como desenvolvedor de projeto avançado em relação a modelos anteriores: a carabina denominada Urutau, que permite a fabricação quase integral da arma com polímeros (um plástico de alta resistência) utilizando impressoras domésticas e conhecimentos básicos de metalurgia. Segundo as investigações, ele também participava da venda de peças e acessórios necessários para o funcionamento dos armamentos. Ainda de acordo com os investigadores, o custo estimado para produzir esse tipo de arma seria de cerca de R$ 800, o que ampliaria o risco de disseminação da tecnologia.

Comercialização pela internet

A coordenadora do CyberGAECO/MPRJ, Letícia Emile, informou que as investigações identificaram a comercialização de peças e acessórios de armas por meio de plataformas digitais de comércio eletrônico. Após a identificação das vendas ilegais, algumas contas foram bloqueadas, mas parte da atividade passou a ocorrer em ambientes mais restritos da internet, como a deep web. Emile também destacou a preocupação com o acesso facilitado a esse tipo de material, alertando para o fato de que alguns dos compradores já tinham antecedentes criminais, como envolvimento com o tráfico de drogas, milícias e homicídios.

“Há uma preocupação especial com o potencial acesso desse tipo de conteúdo por adolescentes e por pessoas sem qualquer controle estatal sobre a circulação de armas”, afirmou.

As autoridades também informaram que armamentos desse tipo já foram encontrados em países como Austrália e Nova Zelândia. No Brasil, um exemplar foi apreendido em São Gonçalo, no ano passado, com um criminoso ligado ao Comando Vermelho. A investigação apurou vendas realizadas dentro do território nacional, tendo a competência fixada no Rio de Janeiro, estado com o maior número de compradores identificados.

Cooperação nacional e internacional

O diretor de Operações Integradas e Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública, Anchieta Nery, explicou que a investigação teve início a partir de um relatório técnico produzido pelo Ciberlab, estrutura do Ministério da Justiça voltada à análise de crimes no ambiente digital, após informação disseminada pela Homeland Security Investigations (HSI), agência federal de investigação criminal dos Estados Unidos, com apoio da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN). 

Anchieta Nery parabenizou a atuação integrada entre órgãos federais e estaduais, fundamental para a identificação dos investigados, a denúncia e a deflagração da operação em diversos estados de forma simultânea, ressaltando que essa articulação foi determinante para o ótimo resultado do trabalho.

Desdobramentos

O secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi, e o delegado Marcos Buss ressaltaram que a operação pode gerar novos desdobramentos a partir do material apreendido durante o cumprimento dos mandados. Curi explicou que armas de fogo continuam sendo instrumentos utilizados por organizações criminosas, como facções do tráfico e milícias, e que o combate à produção ilegal de armamentos é fundamental para reduzir o acesso desses grupos a esse tipo de material. 

Os denunciados pelo CyberGAECO/MPRJ responderão na Justiça pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de arma de fogo.

Fotos para divulgação no Flickr.

Por MPRJ

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