Notícia
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O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) encerrou, nesta segunda-feira (28/09), o curso “Roda de Conversa – A Violência como Fator de Adoecimento: Saúde Mental, Vitimização Policial e os Desafios do Cuidado”.
Realizada em quatro encontros ao longo de setembro, a capacitação integrou as ações da instituição no Setembro Amarelo. O curso promoveu reflexões sobre os impactos da violência na saúde mental dos profissionais de segurança pública, o papel do MPRJ na promoção dos direitos humanos, os casos de suicídio nas forças policiais, os riscos da atividade e as repercussões da vitimização policial na saúde mental das vítimas e de seus familiares.
A iniciativa, uma parceria entre o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP/MPRJ), o Núcleo de Apoio às Vítimas (NAV/MPRJ), a Subprocuradoria-Geral de Justiça de Administração (SUBADM/MPRJ) e o Instituto de Educação Roberto Bernardes Barroso (IERBB/MPRJ), foi organizada pelos promotores de Justiça Fabio Corrêa, coordenador do GAESP/MPRJ, e Renata Cossatis, integrante do grupo, que destacaram a importância de ampliar o debate e a conscientização sobre o tema.
Ao destacar que a assistência à saúde mental dos profissionais de segurança pública é um dos pontos centrais da ADPF 635, Fabio Corrêa, ressaltou a importância de políticas públicas voltadas aos profissionais que atuam na linha de frente. “Falar sobre segurança pública com seriedade inclui também compreender os efeitos que a exposição à violência e a situações extremas produz sobre aqueles que estão na linha de frente. O GAESP/MPRJ vem fomentando e induzindo ações e políticas públicas voltadas a essa temática, como, por exemplo, o projeto piloto de teleatendimento psicológico desenvolvido pela Secretaria de Estado da Polícia Militar (SEPM)”, destacou.
“Organizamos o curso como uma roda de conversa para abrir espaço à escuta e ao diálogo sobre os impactos da violência na saúde mental. Especialistas, integrantes das forças de segurança, pesquisadores, estudantes e representantes de instituições públicas compartilharam experiências, identificaram desafios e discutiram propostas para fortalecer as redes de cuidado”, explicou Renata Cossatis.
Além de Fabio e Renata, também compuseram a mesa de abertura o subprocurador-geral de Justiça de Administração, Eduardo Lima Neto, e a coordenadora do NAV/MPRJ, Patrícia Carvão.
Palestras
No primeiro painel do dia, Silvia Naidin, doutora em Ciências Sociais e professora da Faculdade IDOR de Ciências Médicas, abordou a relação entre violência e sofrimento e apresentou dados sobre violência policial, mortes violentas e o perfil das vítimas.
Na segunda palestra, Fernanda Serpeloni, pós-doutora, professora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e consultora técnica da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), abordou os impactos da violência na saúde mental, destacando sinais de alerta, fatores de risco e estratégias de cuidado. A palestrante ressaltou que experiências violentas podem produzir repercussões emocionais e psicológicas, além de manifestações físicas. Ela mostrou como o trauma decorrente da exposição à violência pode afetar a saúde e a qualidade de vida das pessoas.
A programação do curso contou ainda com a participação de Daniel Ferreira de Souza, capitão da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) e mestre em Administração Pública; Fernanda Campos, psicóloga da PMERJ e doutora em Psicologia; Carlos Antonio, capitão da PMERJ e mestre em Psicanálise; Elaine Cristina de Lima, tenente-coronel psicóloga do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) e doutora em Psicologia; e Rejane Valentim, psicóloga e especialista em Avaliação Psicológica e Psicologia Positiva.
Por MPRJ
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