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O Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) obteve, na quarta-feira (21/10), a condenação de três policiais militares apontados como integrantes do novo “Escritório do Crime”. De acordo com a denúncia, a organização criminosa atuava sob ordens de lideranças ligadas à contravenção penal e mantinha uma estrutura voltada à prática de crimes violentos, incluindo sequestros e homicídios por encomenda, além da venda clandestina de armas e munições — inclusive armamentos que teriam sido apreendidos em operações da própria Polícia Militar.
O 2º sargento Bruno Marques da Silva, conhecido como “Bruno Estilo”, foi condenado a 63 anos de reclusão, em regime inicial fechado, além do pagamento de 168 dias-multa, por integrar a organização criminosa. Também foram condenados o capitão Alessander Ribeiro Estrella Rosa, o “Tenente Alessander”, e o cabo Diogo Briggs Climaco das Chagas, conhecido como “Briggs”, por crimes relacionados ao comércio ilegal de armas. Ambos receberam penas de 27 anos de reclusão, em regime inicial fechado, além do pagamento de 44 dias-multa. A sentença também manteve a prisão preventiva de Bruno e Alessander.
Além das penas de prisão, a sentença determinou a exclusão de Bruno Marques da Silva e Diogo Briggs Climaco das Chagas dos quadros da Polícia Militar após o trânsito em julgado. Em relação ao capitão Alessander Ribeiro Estrella Rosa, determinou o encaminhamento do caso ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), também após o trânsito em julgado, para análise de eventual perda do posto e da patente.
O novo “Escritório do Crime”
As investigações, baseadas na análise de dados telemáticos, identificaram conversas, áudios, imagens e registros de negociações envolvendo armas de fogo de grosso calibre, carregadores e munições. As mensagens extraídas de contas vinculadas aos investigados revelaram uma estrutura criminosa com divisão de tarefas e vínculos com integrantes ligados à milícia. A denúncia aponta Thiago Soares Andrade Silva, conhecido como “Ganso”, “Batata” ou “Soares”, como responsável por encomendar homicídios, enquanto outros integrantes seriam encarregados do planejamento, do monitoramento das vítimas e da execução dos crimes.
Entre os assassinatos descritos na denúncia estão os de Fábio Romualdo Mendes, morto em Vargem Pequena, em setembro de 2021, e de Neri Peres Júnior, assassinado em Realengo, no mês seguinte. De acordo com o Ministério Público, os dois crimes foram cometidos em plena luz do dia, com diversos disparos de arma de fogo, e teriam sido precedidos por ações de monitoramento e tentativas de emboscada.
Neri foi morto a tiros de fuzil e pistola em 4 de outubro de 2021, por volta das 12h50, em uma área de grande circulação de pessoas, em Realengo. A denúncia relata que o grupo monitorou a vítima e realizou diligências para assassiná-la em pelo menos quatro ocasiões, frustradas por diferentes motivos. Bruno Estilo, Rodrigo Oliveira Andrade de Souza e Anderson Oliveira Reis Viana, conhecido como “Papa” ou “2P”, são apontados como participantes da execução. André Costa Bastos, o “Boto”, teria auxiliado os comparsas e fornecido armamentos. Mesmo preso, ele supostamente coordenava a logística de armazenamento e disponibilização de armas e munições.
Já Fábio Romualdo Mendes foi executado em 29 de setembro de 2021, por volta das 9h, na Estrada dos Bandeirantes, em Vargem Pequena. A vítima dirigia seu carro quando foi surpreendida pelos criminosos e atingida por diversos disparos, sem possibilidade de defesa. Segundo a denúncia, Thiago também teria encomendado esse homicídio, mobilizando Bruno, Anderson e Rodrigo para planejar o crime, monitorar a vítima e executá-la. O planejamento teria começado cerca de um mês antes, com diferentes tentativas de emboscada, incluindo uma em uma barbearia, frustrada porque Fábio não compareceu ao local.
Comércio ilegal de armamentos e participação em crimes violentos
A denúncia também detalha a participação dos três policiais militares em negociações clandestinas de armamentos. “Bruno Estilo” é apontado tanto como participante do planejamento e da execução de homicídios quanto como negociador de armas, carregadores e munições. Já Alessander e Diogo são acusados de fornecer material bélico à organização, inclusive armamentos que teriam sido desviados de apreensões policiais. As conversas analisadas pelos investigadores indicariam negociações realizadas em diferentes ocasiões entre os policiais e integrantes do grupo criminoso.
Em relação a Alessander, o Ministério Público sustenta que sua atuação não se limitava a transações pontuais: ele teria mantido vínculo estável com a organização, fornecendo armas e munições e recebendo pagamentos periódicos de R$ 500. A denúncia também descreve negociações atribuídas a Diogo em outubro e novembro de 2021. As provas reunidas incluem registros digitais, mensagens e outros conteúdos telemáticos que demonstrariam a articulação entre os envolvidos.
Por MPRJ
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